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TERRORISMO

dos Irmãos Presnyákov

Tudo em “Terrorismo” tomba para a ordem do dia, ainda que em tom de farsa trágica: a ameaça de bomba em avião, o conflito étnico, o sadismo de soldados, o suicídio etc.

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O mundo lá fora é só apocalipses, mas a costura desse texto da nova dramaturgia russa, cuja primeira montagem estréia hoje no Viga Espaço Cênico, é feita do que vai pela consciência de personagens à beira da explosão.

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Foi em 2000, antes da atual onda terrorista naquela federação (o teatro em Moscou, a escola em Beslan), antes mesmo do 11 de Setembro, que os irmãos Oleg e Vladimir Presnyakov, nascidos na região da Sibéria, verteram para o papel a cadeia de (auto)destruição em marcha, não é de agora.

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“A nosso ver, nos anos 90, formou-se nitidamente um novo tipo de consciência, para a qual o ponto de referência de valor não é mais a criação, mas a destruição”, diz Oleg, professor universitário de literatura russa. Ele e Vladimir, professor de psicologia e pedagogia, ambos na casa dos 30 anos, responderam por e-mail a questões mediadas pela diretora da peça, Cristina Cavalcanti, e pela tradutora Klara Gouriánova, russa naturalizada brasileira.

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“Terrorismo” contém seis cenas, fragmentos que sugerem um quebra-cabeça. O passageiro tenta embarcar, mas o aeroporto é fechado devido a malas suspeitas. Enquanto isso, na casa dele, a mulher contracena no jogo de fetiche com o amante, amarrada à cama. Num escritório, uma funcionária se enforca na sala do psicólogo. Numa caserna, soldados antiterroristas riem de fotos tiradas de vítimas de bombas.

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Numa praça, duas velhinhas reclamam da “moda das etnias”, até que um sujeito com malas se aproxima. Finalmente, o passageiro da primeira cena reaparece sentado num avião. Dificuldades em afivelar o cinto.
Com tal sinopse, a peça, que já foi montada pelo Teatro de Arte de Moscou e pelo Royal Court de Londres, poderia decolar para maniqueísmo, mas evita culpas.

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“É uma peça sobre uma sociedade contaminada pelo medo e que acaba, assim, agindo contra si mesma. A simples idéia de que o terror possa acontecer já é corrosiva e causa danos irreparáveis”, diz a diretora Cavalcanti, 35, que debuta no ofício.

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A ênfase é na expressão corporal e na relação do ator com o espaço (a cenografia se resume apenas a seis cadeiras mutantes). A transição de cenas é feita às claras, assumindo-se os figurinos que se repetem e apoiando-se no movimento de luz. 

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por Valmir Santos, para a Folha de São Paulo

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FICHA TÉCNICA

direção Cristina Cavalcanti

tradução Klara Gouriánova

elenco

Cristina Cavalcanti, Eduardo Semerjian, Lilian Blanc, Marcelo Góes, Marcelo Pacífico, Marcos Cesanna, Maristela Chelala, Rogério Troiani, Tatiane Daud e Vera Kowalska

cenografia Cristina Cavalcanti

figurinos Ana Luíza Domicent

iluminação Nelson Ferreira

trilha sonora Rodrigo Menck e Sérgio Motta

assistente de direção Tatiane Daud

assistente de iluminação André Canto

assessoria de imprensa Arte Plural

produção Marcelo Pacífico 

              Patrícia Scótolo

              Visceral Companhia

realização Visceral Companhia

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GALERIA

Fotos de Lígia Jardim, Rodrigo Menck e Alexandre Diniz

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